quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Não Me Mates Nos Míseros Três Dias

Como podes meu ser viver em tal enfadonho momento, que me deprime tentando me extorquir até o mais escondido momento de felicidade. Talvez escrever seja errado já que as palavras que me vem são simples gestos em vão, frente a minha decepção.
Quanto tempo se passou desde ultimo verão? Oh, Claro estamos no verão. Mas por que está tão frio, não deveria de vir o verão, o meu verão me aquecer, talvez esteja tão preocupado com os meus súbitos devaneios que preferiu se esconder atrás de suas próprias nuvens. Quem me dera ter uma nuvem!
Viver no paraíso do ócio talvez não seja tão paraíso como sonhei, habito aqui a pouco menos de um mês e entre livros, figura, histórias, poucas histórias e um conto. Conto vos que é frio e solitário, e se nem mesmo os amigos puderem me ouvir  gritar, será que então morrerei? Talvez a solidão não mate mas enlouqueça. Mas não seria a morte perder a lucidez?
Me apedrejem se quiseres opressores, se eu disser que ainda vivo graças ao calor dos lábios quente de uma menina dos cabelos dourados que em seus olhos trazia toda malicia do mundo, e em seu sorriso todas as primícias de um anjo. Viverei eu carregando sempre seu sorriso angelical? Encontrarei eu neste mundo tal igual? Ou então aqueles olhos queimarão meus pensamentos em prazer? Talvez ela fosse a droga feita sob encomenda para mim. Acho que para qualquer homem. Ela seria capaz de com a voz de menina levar qualquer pouco amado as profundezas do abismo. Lá cheguei!
No profundo abismo aquele calor dos lábios quentes aos poucos vai se esmaecendo e já me deparo tremendo e sangrando, pois os opressores não tiveram misericórdia afinal a menina era muito formosa para que os olhos de um juiz mal formado, enxergasse além da vulgaridade. Reduzida a luz que já está em trevas não consigo ao menos ver um fim, faltam três dias para o fim, mas não o vejo.
Não podia ver a saída, meus olhos não conseguiam ver talvez. Estaria cego? Havia perdido a visão então? As trevas eram infinitas em tamanho. Só restava uma esperança. A ultima. E se não me ouvisse quando clamasse, chorarias a dor do abandono e morreria em escrita faltando os míseros três dias. Mas ela ouviu, ela sempre ouvi, ela nunca para, ela sempre escreve. Ela aparta as trevas e seria pecado dizer que ela é luz ao meus pés? Na escuridão ela é. Porque só ela me tira de lá, me dá a mão, me fala da vida, me ensina a chorar, crescer sem desentender o amargo desprazer de que querer morrer. Com sensatez ela aparta as trevas. Posso ver de novo. Caminho a passos largos agora de volta ao campo da vida, em vez de mim deixo os opressores no abismo chorando por minha volta. Estou onde devia estar, sou quem devo ser, olho no espelho e tenho a face que eu quero ter!

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