sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O Adeus ao Palco dos Velhos Atores

Se vires onde estou, aonde cheguei e me invejar antes de tal sentimento maligno que é a inveja, pergunte-me o quanto sofri para aqui estar. Pronto agora não senti mais inveja, senti pena.
Pego-me pensando pelos cantos dessa casa, pelos cantos do meu quarto se valeu a pena. Penso no tempo que perdi preso dentro de um prédio com uma robustez arquitetônica de quem já viveu muitos anos e que foi apagado pelo cinza da cidade, e agora sofre sozinho em meio ao asfalto. Sem amigos, filho único, necessitaria ao menos umas vinte quadras para achar um da família com características parecidas. Meio aos seus meio irmãos que são mais modernos, ele é incompreendido, e busca em seus visitantes compreensão. Não achou em mim.
Me maravilham os olhos e dá um tom de experiencia dizer quão feliz você foi nos tempos de escola. Penso que a escola pouco importa, o que ti marcou foi os amigos. O que me marcou foram os amigos. Mas seria injusto esquecer do pobre ser que nos acolheu, nos inspirou, nos deu espaço para criarmos, sonharmos, foi palco de muitas vezes o nosso sonho, sonhei e hoje acordei pois o sonho acabou. O palco se enjoou de mim, como toda casa de show, que forma artistas, quando eles estão suficientemente bons, estão velhos. Então a casa grita pelo próximo, sentindo saudades dos que se foram., mas acolhendo os que chegam.
Um ator sem palco é como, é como nada. Um ator sem palco não é nada. Não choro pois para um ator me seria ao menos normal derramar lagrimas. Saberia eu se seriam lagrimas ou atuação? Não choro. Me disseram uma vez, uma garota me disse, linda garota, cabelos pretos, e seu sorriso, ela é linda... mas nesse dia chorava, dizendo me que mais triste que a despedida, era a solidão que se encontraria o palco, pós a partida dos atores. Acho eu, que pode ele já estar acostumado com a solidão, e se ver bem, ele não fica sozinho tem sempre em sua companhia um amigo felino, dizem me que felinos amam o lugar mais que o homem, então foi o casamento perfeito, sem homem, só o lugar.
Que lugar mais poderia me saciar a sede de aventura, do que aquele que me saciou nos últimos três anos? Quantos eles já saciou? Quantos já saciados por ele, não gozam mais da vida? Sentaria sem medo, sem sombra, com confiança de um filho em um de seus corredores, só para ouvir todas as suas histórias, histórias de amor, de comédia, dramas, amores proibidos que ele escondeu em seus cantos, quantas história ele já viu. Mas ele não me ouve mais, não sou mais seu filho, volto de novo ao orfanato, a espera de adoção.
Lembrarei com júbilo do palco das minha maiores emoções, dos meus maiores desafios, daquela que por 3 anos foi minha segunda casa, daquele que proporcionou os melhores encontros da minha vida. E se tiver vida, sonho estar sentado a mesa em uma mera janta familiar, e escutar um novo ator contando para seu pai, as aventuras proporcionadas pelo bom e velho palco. 

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